ETCO: Eleições no Paraguai são a chance para o país superar o contrabando

ETCO: Eleições no Paraguai são a chance para o país superar o contrabando

PR Newswire

SÃO PAULO, 26 de abril de 2018

SÃO PAULO, 26 de abril de 2018 /PRNewswire/ -- No último domingo, 22 de abril, o Paraguai elegeu Mario Abdo para suceder o atual presidente, Horácio Cartes, ambos do Partido Colorado. Abdo terá um importante desafio a partir de agosto: continuar as reformas iniciadas por cartes, que trouxeram maior dinamismo à economia, gerando emprego, renda, mas que não resolveram um dos problemas que ainda marcam negativamente o país: o contrabando.

O Paraguai é o principal polo de distribuição de produtos contrabandeados da América do Sul, o que produz efeitos nocivos para as economias dos países da região. Para Edson Vismona, presidente do Instituto Brasileiro de Ética Concorrencial (ETCO) o novo presidente deve se alinhar aos países vizinhos para sustentar o crescimento da economia.

"Não podemos mais pensar nesta questão de forma isolada, pois o contrabando hoje é dominado por organizações criminosas que atuam de forma globalizada e prejudicam a economia e a segurança jurídica e pública de todos os países da região" acredita Vismona.

De acordo com o cientista político chileno Guillermo Holzmann, "o crime organizado funciona nas lacunas legais que encontra nos países, com planejamento e estratégia. É necessário que o Estado atue de maneira semelhante, sob o risco de que todos os esforços não tragam resultados positivos".

O principal produto contrabandeado do Paraguai é o cigarro: o país produz anualmente cerca de 60 bilhões de unidades, mas o consumo interno não ultrapassa 2,5 bilhões de cigarros. Para Vismona "fica claro, quando vemos a enorme presença ilegal dos cigarros paraguaios contrabandeados no Brasil, na Argentina, no Chile e em muitos outros países, que este é um setor que merece especial atenção do novo presidente".

A enorme disparidade tributária entre os países é apontada por especialistas como uma das principais causas do aumento exponencial do contrabando paraguaio em anos recentes. "No caso do contrabando de cigarros, é possível ver como os desequilíbrios fiscais na região, especialmente entre o Paraguai e os países vizinhos, estimulam o avanço do mercado ilegal" afirma o advogado argentino Juan Marteau, especialista em questões como lavagem de dinheiro e financiamento de atividades criminosas.

No Paraguai, o setor de cigarros é taxado em apenas 16%, menor carga tributária entre os países vizinhos, que chegam a cobrar mais de 80% como no caso do Brasil, Argentina e Chile. "Este é o maior incentivo para os criminosos: a altíssima rentabilidade que o contrabando proporciona" afirma Vismona.

FONTE ETCO

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